Em plena era da tecnologia, muita gente pelo menos uma vez por semana tem o prazer de ir fazer compras em uma feira livre.
Entre o colorido das frutas, legumes e hortaliças, atualmente a feira teve uma queda de 50% em seu faturamento.
Os grandes mercados e a própria internet contribuem para isso, ou seja; existem pessoas que fazem esse tipo de compra pela internet e gostam de consumir principalmente dentro dos supermercados.
Outro empecilho é o horário. Antigamente as feiras funcionavam das 7hs às 15 hs. Hoje o funcionamento é até às 12hs, com quatro horas a menos para um faturamento melhor.
A feira é diversificada, existem também os biscoiteiros, peixeiros, bancas de carne e frango, pasteleiros, caldo de cana, floristas e paneleiros.
Em entrevista com Marcelo Antonio Pedroso, (40), paulistano, paneleiro e afiador, com uma banca de dois metros na esquina da R: Artur de Azevedo com a R: Antonio Bicudo, tivemos uma prévia sobre a baixa do faturamento da feira.
Segundo Marcelo, a renda por muitas vezes não é lucro, por exemplo: - A tampa de uma panela de pressão é mais complicada do que as outras, fazendo seis reparos ele cobra R$ 5,00. Uma afiação de faca custa R$ 1,00.
Mesmo sendo muito barato ele faz para conservar a freguesia e enfrentar a crise.
Ele ainda está pagando as prestações de seu caminhão, que é fundamental para o seu trabalho.
Perguntei a ele se valia a pena e em resposta fiquei sabendo que Marcelo cursa a faculdade de História, está no segundo semestre, pretende se formar e ser professor de História.
É lamentável que serviços assim estejam ameaçados de extinção, de feirante e paneleiro à professor de história - Não por opção, mas por necessidade.
Quem não quer guardar aquela panela que foi da avó, aquele bule do coração???
Serviços assim tendem a sumir sucumbidos pela globalização. As pessoas não conseguirem trabalhar por conta própria, migram para outras áreas, isso é uma questão de sobrevivência.
Se não abrirmos os olhos daqui a alguns anos as feiras estarão descaracterizadas.
Não se esqueçam da "Hora da Xepa", importantíssima, extinta pela prefeitura, fundamental porque alimenta as pessoas de baixa renda, asilos, creches e entidades carentes.
Precisamos resgatar isso para continuar esse serviço de utilidade para essas pessoas, elas dependem disso.
A Feira Livre é um Patrimonio Cultural do Brasil, lutemos para conserva-la.